sábado, 3 de novembro de 2018

Cavalheiro do pinanço


Por vezes recebemos sinais muito evidentes que só conseguimos perceber depois da asneira feita. Esta achava que me conhecia de algum lado. Cismava e cismava que já tínhamos sido apresentados. "Foi naquele bar", dizia. "Aquele... ai, estou com o nome na ponta da língua...". Do momento em que estava com o nome na ponta da língua até ter lá a minha pichota foi um tirinho. Assim que entrámos na sua casa lançou-me para cima da cama, pronta para se lambuzar com o Pacheco, e pelo ar de sofreguidão brocheira que apresentava, acredito que marchava o Pacheco e mais um par de chotas. E foi quando estava entretido com o meu fellatiozinho, que reparei no estado gasto e decadente dos lençóis de cama. Não se convida ninguém para uma cambalhota épica com este enxoval de terceiro mundo. Sou um artista da pinada e preciso de condições. Pequenas coisas como uma má iluminação, um jogo de cama turco com borboto ou umas cuecas com o elástico lasso, são elementos capazes de colocar em risco uma prestação de nível cinematográfico, que é a isso que me proponho sempre. Como sei de antemão que não vamos voltar a pinar, pois "Uma vez é ocasional, duas é relacional", empresto uma vivacidade e autenticidade únicas, pois é um momento que não se vai voltar a repetir e quero que fiquem com uma memória histórica de uma queca digna de tela de cinema. Coisa impossível de atingir tendo como palco uns lençóis turcos de uma cor há muito levada pela voragem do tempo. Agora que penso nisso, devia ter percebido a dica de que me estava a meter em maus lençóis naquele preciso momento. É que sempre tive particular atenção à idade das mulheres que vou pinando. Se as mais novas são demasiado idealistas, as mais velhas são demasiado cínicas. É preciso articular cuidadosamente um meio termo. E descuidei-me com esta, pois tinha um corpo tão hipnotizante que mal liguei aos sinais de evidente tenra idade do seu rosto. É como diz o provérbio: "Rapariga nova é como o ananás. Em cima está verde, mas em baixo está capaz." 
Com o idealismo próprio da casa dos vintes a pulular hormonas acima, haviam de ver a batalha que tive de enfrentar para sair daquele redemoinho de lençóis ainda mais aviltante do que na hora em que entrei. Os lençóis devem facilmente ter triplicado os borbotos com a intensidade do esfreganço e até a cor parecia mais enfadonha depois de ter sido exposta ao meu ritmo frenético de bombada. Se bem que aquilo já nem sequer era cor. Aquilo era o máximo que a cor pode fazer quando quer renunciar a ser cor. E eu, que só queria entra nos meus lençóis de cetim francês, perfumados e sem uma única ruga de tecido. Mas não. Insistia que tinha de dormir lá, "aninhadinhos", que lhe devia isso depois dela me ter dado a cona. Ela não disse bem assim, mas estão a ver a ideia. Já idealizava novas pinadas completamente abismada com a quantidade de orgasmos que tinha tido. Parece que há meses que só apanhava tipos que se vinham antes dela atingir o clímax e agora, de papo-cheio, fazia planos de futuro sem pedir licença. Toma lá que é para aprenderes. Mas convenhamos. É o apanágio de ser um cavalheiro do pinanço. Nunca atiro o meu foguete antes da fresta.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Quem anda à vulva, molha-se

Esta estava sentada sozinha num restaurante a jantar, o que é praticamente o mesmo do que convidar-me a sentar. Estava entretida com os seus pensamentos enquanto comia uma broa de milho. Claro que por mim, sentava-me de pronto enquanto dizia em tom todo sedutor: “És podre de broa”. E depois ela achava graça e levava-me para casa. Claro que sei que isto só tem potencial de sucesso dentro do meu imaginário, por isso sentei-me suavemente e optei pela abordagem certa, correta e digna, dirigindo-lhe um elogio singelo mas pleno de significado, soltando assim en passant: “Sabes que és broa comó milho?” Pela primeira reação da mafarrica, agora penso que devia ter optado pela primeira abordagem. Mas entretanto já estava sentado, e antes que ela me mandasse embora, desatei a falar. Poucos minutos depois já estava enredada pela teia da minha conversa, que certamente lhe causa uma ligeira pocinha na cuequinha. Assim já quase a permitir um slide & splash à boca da cona. Mas depois detenho-me a pensar no Roland Barthes e no mito moderno da sedução, onde o caçador é que é seduzido, capturado e encantado pela imagem da presa, que capta a sua atenção. Há uma enorme equivalência entre o amor e a guerra, e nos dois trata-se de conquistar, de seduzir, de capturar. Cada vez que um sujeito cai de amores, retoma um pouco o tempo arcaico em que os homens deviam raptar a mulher (sempre passiva). Do modelo primitivo subsiste um vestígio público: aquele que foi seduzido é sempre "efeminado". Mas no mito atual, dá-se o contrário. O sedutor nada quer, nada faz; é imóvel e o caçador é que é o verdadeiro sujeito do rapto. Por esta altura já estou mais interessado em jogar a uma espécie de Quem é Quem deste jogo da sedução do que ir-lhe à pachacha. É que não aceito sentir-me uma presa desta porca da Brandoa. Uma coisa é conquistar o caminho para a pachacha de uma badalhoca dos subúrbios. É quase como que um desafio, ainda que bastante fácil. Outra é um gajo permitir-se ser caçado por uma. E o Patife não é fácil de sacar. Por isso aticei-lhe aqui o meu pilão de caça até a deixar sem dúvidas de quem tinha sido capturada, e deixei-a tão, mas tão excitada, que aquilo resultou numa avalanche orgástica de eleição. Mas que enxurrada de meita de gaja. Enfim… é a vida de caçador: Quem anda à vulva, molha-se.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Coelhinha da Páscoa

Nos últimos tempos ando particularmente atento às roupas com padrões de animais estampados. Noto que um número crescente de mulheres desfila na rua armada em animal de caça, num apelo explícito ao engate e ao avanço de qualquer predador natural, que não resiste a qualquer padrão da savana. É quase um efeito hipnótico. Eu cá caço-as, mas é mera caça recreativa. Não quero ficar com elas e levá-las para casa. Depois de caçadas, solto-as de volta para o seu meio natural de idealismo. No entretanto, trato-as muito bem. Quando não me pedem que as trate mal. Ontem passei por uma a subir pelo Chiado que levou este carnaval social a outro nível. Bamboleava rua acima com uma lustrosa estola de coelho, o que atiçou a raposa predadora que habita em mim. Oh filha, mascaras-te de animal de caça e claro que vais avivar o predador aqui à espreita. Bem sei que estamos na Quaresma, por isso percebo bem a dica que ela me está a dar. Sou um tipo muito atento a estas pequenas indicações sociais. Por isso, fiz dela a minha Coelhinha da Páscoa. Passei o domingo a esfolar-lhe o folar. 

terça-feira, 20 de março de 2018

Camelo polar

Quando uma mulher se veste com padrões de animais estampados nas roupas, está a comunicar a sua vontade de ser caçada. É toda uma simbologia tácita que aqui o Patife desvenda em três tempos. Quanto mais raro for o animal escolhido para padrão, maior o fervor de ser apanhada. E andam por aí, à solta, a exibir a sua disponibilidade para serem papadas pelo predador mais atento e eficaz, que normalmente sou eu. Este fim de semana, uma esteve a atiçar-me continuamente durante horas com uma camisa padrão de chita. Dali até casa dela era um instante, mas como desatou a chover apanhámos uma grande molha. Acho que foi a vez em que deixei uma mulher molhada mais depressa. Quando chegámos a casa dela, atirou-me uma toalha e uma t-shirt lavada e disse que se ia pôr “mais confortável”. Sei bem o conforto visual que normalmente esta expressão acaba por originar, com figurinos de rendas e lingeries provocadoras. E foi quando ela apareceu… de pijama polar. Assim a piscar o olho ao sexy-fofo, só que não. Eu sei que estamos no inverno. Sei que está frio. Mas esta transgressão do convívio sexual não é aceitável. Até percebo os pijamas de tecido polar quando se é casado há 10 anos. Aliás, essa é uma das muitas razões para não querer casar. Por isso é que a minha relação mais longa dura o tempo exato de uma pinada. Inteira. E olhem que são maratonas da esfrega. Longas caminhadas do pinanço. Agora, quando na primeira noite me aparece de pijama polar, com as calças de pelinho a arrepanhar-lhe as bordas da cona, sou capaz de jurar que me saltou um globo ocular. É que um camel-toe polar é contra-natura. É uma transgressão da teoria da evolução das espécies. É estar a brincar com a ordem da natureza. Estive para me ir embora com a afronta, até porque não sou nenhum bicho-papão. Mas tenho uma picha-papona. Por isso não descansei enquanto não lhe tirei o camelo das bordas da chona.

segunda-feira, 12 de março de 2018

A Tarzana

Esta tinha a mania que era selvagem. Um andar despudorado, uns cabelos pretos e revoltos, peito para a frente - coisa que me chamou particularmente a atenção e me fez de logo levantar o salpicão - dizia chamar-se Ana e que era muito diferente das outras que eu tinha conhecido. Não demorou muito para que na minha cabeça ficasse conhecida como a Tarzana. Tenho de arranjar múltiplos estratagemas para me lembrar dos nomes das moças que avio à berlaitada. A minha memória é coisa que não dá para nada. Claro que assim que lhe dei o epíteto de Tarzana, o meu imaginário começa a divagar e, enquanto ela fala de si, toda cheia de confiança, eu apenas a vejo a agarrar-se à minha liana cheia de convicção. Acto contínuo imaginário, estamos já numa orgia e ela anda a gritar como uma verdadeira Tarzana enquanto salta de liana em liana, até se fixar na minha grandiosa zarabatana. Uma das coisas que mais aprecio na minha imaginação é a arbitrariedade. Tanto pode num momento estar armada em amazona da goela a abocanhar-me a fartura, como no momento seguinte estar num bacanal de proporção épica, a foder sem qualquer ética. São estas pequenas coisas que me fazem entregar ao carácter inesgotável do murmúrio da imaginação. Claro que com tanta fixação pelo imaginário, nem reparei que a gaja era estrábica. E foi aí que uma dúvida inadiável me assolou. Será que “Tarzana” é agora o nome mais adequado para me lembrar desta mafarrica? Ou será que a devo memorizar como Cabra Cega? Como ela entretanto tirou as cuecas, a dúvida foi adiada para depois da selvajaria sexual a que a submeti. Foi até lhe endireitar o olho.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Havemos de fornicar juntos

Esta noite acordei com um pesadelo tenebroso. O José Luís Peixoto estava a editar os meus textos. Páginas e páginas com anotações repletas de candura, sonhos e ambições de amor eterno. Garanto-vos que acordei com urticária psicossomática e uma camada de nervos tão grande que a insónia se prolongou manhã adentro. Para me entreter, comecei a pensar que se o Patife editasse os textos do José Luís Peixoto, haviam de ter escrito textículos de profunda sensibilidade que se tornariam numa epopeia de exaltação nacional, envolta numa carapaça estilística mais dura que o meu bacamarte. E se o Patife editasse os textos do José Luís Peixoto, teriam saído coisinhas lindas assim:

Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a sua estaca na cliente seguinte, andam ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os pares de mamas, têm medo de encontrar um vestígio daquele que chegou primeiro. Enquanto não lhes arrancam as cuecas e espetam a sua estaca, não descansam. Depois, não descansam também, inventam logo outras maneiras de entreter a doentia mente com quem pode vir a seguir a eles. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do fervor sexual acontece num momento muito bonito e delicado, naqueles breves segundos que antecedem o momento em que um gajo entra chona adentro.

As canções e os poemas ignoram isto. Elevam campos, abraços, passeios na praia, paisagens de falésias, emoções, estrelas no céu, paixões e trastes de guitarras, mas esse momento específico, com ela de cuecas no meio das pernas a tremelicar, tal a sofreguidão de o meter, que antecede o arrombar pela primeira vez de uma bardanasca é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que no momento há a crueza das palmadas que se seguem, há o barulho infernal de quem está a levar uma bem dada, gemidos de “ai-ai-ai Patife que m´arrebentas as bordas da cona”, há o barulho dos meus taurinos tomates a embater nas sinuosas curvas das nádegas, arranhões e apertos, todo um manancial de ordinarice e devassidão na entrega momentânea, e a noção de que depois seremos dois estranhos que não voltarão a tocar-se. Mas tudo isto, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza deste momento.

É muito fácil confundir uma queca banal com uma preciosa quando surgem simultâneas e quase sobrepostas. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Foder é muito diferente de ver foder ou imaginar foder. Pelos olhos, incendiados pela carícia da insónia, passam-nos as fodas que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que tememos que se sucedessem se uma dessas escolhas se tornasse definitiva: quando a seguir ela estiver a tentar ligar sofregamente vezes sem conta, a perguntar por que não saímos novamente ou a querer saber “qual-foi-o-problema-parecia-estar-tudo-bem”, é que nos apercebemos que pinámos uma vez e agora parece que temos logo de ir tomar o pequeno-almoço, pôr roupa suja na máquina enquanto cantamos, lavar os dentes juntos refletidos pelo mesmo espelho enquanto a espuma escorre pelas beiças, em vez de estarem com a boca cheia da minha generosa meita, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivessem ficado com uma deficiência na fala depois de ter o meu Pacheco na boca.

Ter alguém que saiba ter a nossa picha na boca é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo entre pinadas. É incompreensível que ninguém a cante.

As canções e os poemas de amor ignoram tanto acerca de pinar. Amor também é pinar por aí afora, sem freios nem espartilhos sociais, é brincar com a arbitrariedade e aprender com as pinadas menos boas. Talvez seja uma queca épica, talvez seja uma desgraça, não importa. Mamas são mamas e não haverá televisão alguma que me distraia daquilo. Se me virarem o rabo também serve. É essa a magia deste amor. Pelo caminho, vai-se pinando, e chega-se ao fim da vida a equilibrar uma torre de chonas aleatórias.

segunda-feira, 5 de março de 2018

O drama das cuecas desirmanadas

Palavra de honra que o drama das meias desirmanadas é uma ninharia fútil quando comparado ao problema que me assola há anos e que é verdadeiramente uma enorme dor de cabeça. É o drama das cuecas desirmanadas das donas, que me aflige. Tenho toda uma coleção de cuequinhas lá em casa, que foram esquecidas, deixadas propositadamente para trás, abandonadas à sua sorte, ou simplesmente desaparecidas em combate sexual. Por vezes penso que minha casa é uma espécie de triângulo das bermudas das cuecas. Assim que sai de perto da cona de sua dona, esconde-se num recanto qualquer da minha casa e por lá fica. A minha empregada é que as encontra, perdidas pelos cantos, todas amarfanhadas, certamente que a tentar voltar para casa após uma noite bem passada, numa espécie de walk of shame da lingerie. Dantes dizia para ela as deixar dentro de um vaso transparente e vazio que por lá tenho, mas depois começaram a ser tantas cuecas desirmanadas das donas que o vaso já não dava conta do recado. O que é elucidativo de que eu dou conta do pecado. Há cuecas com rendas, cuecas asa delta, cuecas-fisga, de nylon, de lycra, de algodão felizmente não, cuecas lassas, de rendinhas, cuecas de todas as cores que possam imaginar, enfim, cuecas que são a memória viva das minhas quecas. Quis acabar com este drama e este fim de semana, após encontrar mais uma cueca perdida pós-queca, decidi fazer uma máquina de cuecas desirmanadas para as entregar às respetivas chonas. Estão todas lavadas e dobradas numa gaveta, prontinhas a entregar à pachacha que as abandonou. Depois do primeiro passo, tento estabelecer relações e recorrer à memória para associar caras às cuecas, mas o máximo que consigo é associar a cueca à cona de onde as tirei. Mas depois falha-me o passo de associar a cona à sua dona. Agora tenho toda uma coleção de cuecas desirmanadas e perfumadas sem saber a quem as devolver. A próxima mafarrica que vier cá a casa pinar e no final não souber das suas cuecas, vou sugerir que leve uma das cuecas desirmanadas, a ver se dou cona disto. Pergunto-me se alguma ficará chateada…

quinta-feira, 1 de março de 2018

Foder é fogo que arde sem se ver

Há manhãs em que ainda não abri os olhos e o primeiro pensamento que povoa a minha mente é logo espetar a minha gaita na primeira bardanasca que me ocorrer. Depois, sento-me na cama, recordo que pinei na noite anterior e penso que devia ter uma espécie de neutralizador de palato entre chonas. Tento recordar o nome da moça, nome que gritei fervorosamente durante a noite, mas percebo que saiu da minha cabeça no momento em que ela fechou a porta de casa atrás de si. Penso de mim para mim: “Patife mau! Patife feio!” e viro-me para coisas bonitas e fofinhas como a poesia. Depois, imagino que se eu tivesse sido o editor do Camões, teriam sido criadas verdadeiras pérolas da literatura nacional capazes de integrar o programa escolar da língua portuguesa. E se isto tivesse acontecido, teriam saído coisinhas poéticas lindas assim:


Foder é fogo que arde sem se ver;
É picha que mói, e tudo sente;
É espetar penetrantemente;
É dor que só se aplaca a foder.

É um não querer mais que só foder;
É um saltar de cona em cona permanente;
É dar-lhes sempre aqui com a batente;
É um amar que se ganha para depois se perder.

É querer espetar quando se tem vontade;
É servir quem aparece, qual conquistador;
É não acreditar numa cara-metade;

Mas como pode este ardor;
Nos corações femininos causar saudade;
E eu apenas sentir-me pecador?

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Armas de distração massiva

Chamem-lhes o que quiserem: mamas, tetas, par de chuchas, marmelos, holofotes, air-bags, faróis da frente, pára-choques, prateleiras, bombocas, que o resultado será sempre o mesmo. O meu olhar vai acompanhá-las até as retinas ficarem eretas e aqui o Pacheco ficar tão robusto como um tronco de mogno. Não me culpem. Faz parte da natureza humana. Onde quer que ande um par de chuchas, haverá sempre um corrupio de homens prontos para o devassar com o olhar. Uns fazem pela calada. E esses são os piores. Há uns que chegam a criticar os homens que têm a honestidade de olhar com lânguido despudor sobre todo e qualquer declivado decote, os sonsos. Não compreendo a inibição, mas dou uma ajudinha à vossa consciência: As mamas foram criadas com o principal propósito de serem admiradas e a maioria das mulheres usa decotes, roupa e lingerie, pensadas somente para deixar todo e qualquer globo ocular a andar à roda. Eu cá fico logo com a cabeça a andar à foda. Mas isso é porque tenho uma sensibilidade de gnu, coisa própria de quem gosta muito de ir ao cu. Isto tudo a propósito do grandioso par de tetas que tive o engenho de profanar ao apalpão esta semana. Estava já de saída do Chiado, entretido comigo mesmo, quando as vejo passar, todas generosas e a clamar por atenção. A mafarrica que as passeava só a vi uns bons dez minutos depois, tal o efeito de fixação mamaçal. Ficámos fixados, olhos-nos-bicos e bicos-nos-olhos e aquilo só podia acabar em festa mamária. Assim foi. As mamas saracotearam na minha direcção – quase que posso jurar que as vi a bater palminhas – e tive de invocar toda a arte recreativa para manusear aquelas mamocas. Até deu aqui para o meu Pacheco fazer saltos de trampolim e bater castanholas com as ditas. Gostar de mamas grandes é fácil. O desafio está em saber o que fazer com elas. É assim um pouco como o amor. Ah, e cu. Mas isso abordo noutro dia. Por falar em bordas, ali vão umas a dançaricar Chiado abaixo. “Anda, Pacheco!”. E para que não restem dúvidas, sim, comi a mamalhuda. Como tinha um primo de visita, levei-a para a minha cave. Encavei-a toda.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Quando o rei faz ânus

Esta manhã acordei com um desejo fervoroso de meter aqui o pimpolho no primeiro entrefolho que me aparecesse à frente. É um desafio perigoso se pensarem bem, pois não podemos controlar a qualidade da marafona que nos surge primeiro diante da vista. Mas há dias em que um tipo deve ser fiel aos seus princípios e aos seus desejos. Além disso, como sempre segui o provérbio "A ocasião faz o tesão" decidi lançar-me à berlaitada na primeira crica que me desse os bons-dias. Assim foi. Desço as escadas do meu terceiro andar sem elevador, isto de olhos bem fechados para não trombar com a Dona Guilhermina, uma velha vizinha chata que tem todo o ar de ter cona de foca - com bigodes e a cheirar a peixe, portanto. Então lá fui descendo aos repelões e às apalpadelas, a agarrar tudo como se fossem as tetas da sueca do segundo direito, não fossem elas, quer dizer ela, aparecer pela escada e eu perder tal oportunidade mamaçal. Ainda nem tinha aberto a porta da rua e já estava a ouvir uma gargalhada feminina mesmo a passar em frente. Aquela mulher gargalhava como ninguém. Direi mesmo que tinha um bom gargalho. Já eu tenho algo foneticamente muito semelhante. Mas maior. Analisei em breves segundos a dita gargalhada e, como fiquei com a pichota bem-disposta, continuei o movimento de saída para a rua. De facto a gargalhada era boa, mas assim que interagimos e ela percebe as minhas porcalhotas intenções, mete um ar todo emproado e diz logo que “nem é preciso vir atrás”. É nestes momentos que pauso a vida por um instante e penso: “Oh filha, vais engolir essas palavras! E não vai ser a única coisa que vais engolir”. Por isso, e como o Patife é um homem de palavra, levou a sua avante. Já ela levou com a minha por detrás. É uma espécie de variação da expressão popular "Quando o rei faz ânus". Foi até fazer faísca.