quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ir abaixo

Deixo o carro ir abaixo muitas vezes. Deve ser a ironia da natureza a manifestar-se de forma compensatória pelo facto de não deixar o mangalho ir abaixo vez nenhuma. O karma tem destas coisas. Isto a propósito de um passeio que fiz durante as férias por Atenas num carro alugado. Acabei por dar essa volta com um tipo que tinha conhecido no cruzeiro e que me pareceu um bom wingman para Atenas, uma vez que falava grego e era nitidamente menos atraente que eu. Quando estava a tentar estacionar deixei o carro ir abaixo e o tipo teve uma reacção de desmarcação ostensiva do momento, como se deixar o carro ir abaixo fosse algo de verdadeiramente vergonhoso para a virilidade de um gajo. É que estavam umas gregas lindíssimas mesmo no passeio ao lado a olhar e ele não quis ficar conotado com a minha aselhice ao volante. Começou a abanar a cabeça de forma intensa e a revirar os olhos exageradamente para tentar, de alguma forma, não ficar naquela fotografia. Como se fosse possível que passadas umas horas ele fosse encontrar as gregas e elas o abordassem dizendo: tu és o tipo que estava com aquele gajo que deixa o carro ir abaixo, não és? Vi pela tua reacção que nunca deixas o carro ir a baixo. Não quererás porventura comer-me a pachacha? Mas o mundo é fértil em surpresas e por vezes proporciona-nos aquilo a que chamo “as rimas da picha”. É que acabámos mesmo por encontrar as raparigas na noite grega. Ele armou-se em pavão. Já eu, armei-me em parvão. Enquanto ele se gabava de peito cheio de ser o maior condutor da galáxia eu mantive a coerência e garanti às gregas que também as deixava ir abaixo. Aliás, deixei-as vir abaixo muitas vezes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cabeça de alho chocho


Este fim-de-semana estava sentado num miradouro junto a uma igreja quando me apareceu uma fotógrafa. Andava ali toda entusiasmada a fotografar a cópula da igreja e eu não resisti a dizer-lhe que se o entusiasmo fosse por uma cúpula na igreja eu até percebia. Olhou-me com desdém mas terá ficado curiosa. Entabulámos uma conversa ligeira em que eu disse muitas mais parvoíces do género. Ela ficou convicta de que eu era um gajo sem qualquer tipo de interesse intelectual e completamente vazio de espírito. O que não andará muito longe da realidade. Perguntou-me, já que eu era tão chico-espertinho, se recomendava algo de mais interessante naquela zona para fotografar. Está bom de ver que me apressei a sugerir o meu nabo. É uma peça arquitectonico-nabal única e de grande valor quantitativo e qualitativo. Tratei foi logo de a avisar que precisaria de uma grande angular para fotografar este portento fálico. Não deve ter gostado muito da sugestão pois ficou de trombas. O pior é que eu também fiquei de tromba feita. Meio irritada ainda chegou afirmar que me achava um cabeça de vento e que o exagero da minha retórica era tal que até uma hipérbole se sentiria ofendida com o abuso. Apeteceu-me responder-lhe que não é uma questão de eu ser falso ou mentiroso, que nunca deixo é que a verdade estrague uma boa história. Mas preferi voltar a sugerir-lhe o Pacheco como Património Mundial da Fotografia. Ela não o quis fotografar, estou convicto que por não ter a lente necessária. Mas o que é certo é que veio comigo para minha casa. Há justiças poéticas muito bonitas: Sei que ela ficou a pensar que eu era uma cabeça de alho chocho. Mas também ficou a saber que se há coisa que eu não tenho é uma cabeça de caralho chocho.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

À falta de bico


No outro dia abri a gaveta da minha secretária antiga de madeira e encontrei uma caneta sem bico. Precisava desesperadamente de uma caneta e aquela era a única caneta em casa. E estava sem bico. Naquele momento identifiquei-me de imediato com a caneta. Ainda olhei para baixo da secretária numa vã esperança mas nem vestígios de bico. Escusado será dizer que a ideia se plantou  na minha mente com tal intensidade que saí à rua pronto para arranjar um bico e emendar a situação. Claro que quando dei por mim estava a tentar arranjar um bico, não para a caneta, mas para mim. Distraio-me muito facilmente. Sentei-me então numa esplanada do Chiado a avaliar potenciais sugadoras de sardões até que uma moça ficou instantaneamente caidinha por mim. E não estou para aqui a brincar às metáforas e com os seus efeitos de transposição. Eu tinha as pernas estendidas na esplanada, ela tropeçou em mim e ficou de joelhos prostrada a meus pés. Apressei-me a ajudá-la a levantar, pedindo desculpas pelo sucedido e aludindo ao tamanho exagerado dos meus pés, claramente a ver se ela estabelecia uma ligação à teoria que indica que o tamanho dos pés de um homem é proporcional ao tamanho do seu bacamarte. Quando a estava a levantar cheguei mesmo a dizer-lhe:  Sempre posso contar aos meus amigos que uma mulher sensual ficou caidinha por mim esta tarde. Ela sorriu de forma tímida enquanto olhava para os joelhos esfolados. Confesso que também eu olhei, com elevada dose de preocupação, note-se, para os seus joelhos esfolados. Mas foi a pensar que isso iria dificultar o acto de ela me mamar no Pacheco. É que sou um homem com princípios e custava-me muito imaginá-la de joelhos no soalho debaixo da minha secretária a fazer-me o bico desejado, com os joelhos naquele estado. Por isso, quando a levei para minha casa para lhe fazer um curativo, tratei de lhe meter, estrategicamente, uma almofadinha para os joelhos no chão. A caneta, essa, continua sem bico e presumo que a morrer de inveja de mim. Um dia arranjo-lhe um bico tão bom como o que nesse dia recebi.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Trabalhar por cona própria


Há já algum tempo que não ia a uma festa organizada pelo meu amigo Xerife. Se há coisa que o gajo sabe é organizar festas, que é como quem diz, encher o antro com esgrouviadas da senisga que, todas misturadas, prometem originar um cocktail de javardice a todos os títulos de louvar. Engalanei-me e lá fui a destilar tesão para a festa repleta de pachacha dondoca. Contudo, ou fiquei demasiado exigente, ou o Xerife ficou com os bifes do lombo só para ele e partilhou apenas as peças de qualidade inferior. Aquilo estava apinhado de mulheres desenxabidas. Assim que entrei senti umas largas dezenas de pares de olhos a comerem-me. Não as condeno. Estavam todas a trabalhar por cona própria. Mas eu não me queria apropriar de nenhuma daquelas pachachas. Encosto-me na varanda a beber à bruta quando, nas minhas costas, ouço uma dondoca dizer que estava com cieiro. E foi aqui que se fez luz. Enchi-me de alento, pois sempre acreditei que o cieiro é a doença do cio e tinha agora uma oportunidade de ouro para testar a minha teoria. Virei-me e é aí que a vejo toda altiva e de sublime beleza. Estava pronto para começar a arte do engate mas nem precisei de usar a minha lábia. Apenas usei a lábia dela. Aliás, levei-a mais depressa para o quarto de hóspedes do que o tempo que demora a soletrar a palavra lábia. Confirmou-se assim o cieiro como a doença do cio. Aquilo foi uma genuína parada de orgasmos. Deitei-me satisfeito pela confirmação da teoria e a congratular-me por ter encontrado uma mulher assim no meio de toda a feiura presente. Não só encontrei uma autêntica agulha num palheiro como ainda consegui enfiar-lhe o Pacheco no buraco.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Bico d´obra


A semana passada acordei com o desejo incessante de me mamarem no palhaço. São este tipo de emoções que me garantem que não me tornei insensível, por isso sinto que tenho de seguir a sua natureza. É como se estivesse a jogar a um monopólio de emoções viciado que nunca me deixa voltar à chacha de partida mas que me condena amiúde à Estação dos Bicos. Por isso, já mais à noitinha, lá fui eu a uma danceteria a ver se arranjava um bico d´obra. Mas ca ganda regabofe de pachacha que ia para ali. Numa noite normal teria ficado a pulular de excitação mas eu tinha uma missão. Naquela noite eu estava decidido a encontrar o Santo Graal das bocas de veludo. A Terra Prometida dos destinos fálicos. O Taj Mahal da arquitectura do abocanhamento. O problema é que enquanto ia fazendo prospecção de mercado bebi uns copos a mais, o que é capaz de ter turvado o meu discernimento. Isto porque depois de a ter levado para casa recordo-me de lhe estar a dizer: Isso não é só meter a boca no trombone. Também é preciso saber sacar uma notas. Depressa desisti de fazer um enchido do seu esófago e tentei salvar a noite. Virei-a de quatro e toma lá Pacheco. A julgar pela lassidão daquelas bordas certamente que lhe carimbei o cartão de fodilhona frequente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Diário do Patife III


Nesta rubrica, um dia do diário de notas do Patife é aqui transcrito todos os meses sem censuras.

2 de Agosto

Acabei de conhecer uma belga. Sendo eu fã das bolachas, pergunto-me qual será a sua reacção quando sugerir que a quero untar de chocolate antes de a comer.

Começa a ser socialmente complicado não conseguir ficar calado sempre que uma mulher tosse insistentemente perto de mim. “Anda cá que eu já te digo o que é bom para a tosse” nunca é levado a sério. É que eu tenho mesmo uma cura milagrosa para a tosse e acham sempre que eu estou a ser ordinário. Por acaso a cura é mesmo mamarem-me o Pacheco, mas não o digo por ordinarice. É por pura bondade.

Acabei de comer a belga. A páginas tantas dei-lhe uma mordidela, mas ela pareceu ser compreensiva.

Foda-se. Tudo bem que lhe dei uma trancada à boa maneira Patifeira mas isto é demais: Estou com uma nódoa negra no nabo. É que a moça tinha umas guelras vaginais profundamente apertadas. Bem… É uma ferida de guelra.

Olho para o soalho e reparo no estado lastimável do preservativo. Recordo-me de um apontamento de humor de uma série qualquer, daquelas que vejo a meio de uma insónia: “Com ele a queca é tão intensa que o preservativo mais parece uma película aderente a tentar proteger uma travessa de comida no epicentro de um tornado”.