Deixo
o carro ir abaixo muitas vezes. Deve ser a ironia da natureza a
manifestar-se de forma compensatória pelo facto de não deixar o mangalho
ir abaixo vez nenhuma. O karma tem destas coisas. Isto a propósito de
um passeio que fiz durante as férias por Atenas num carro alugado. Acabei por
dar essa volta com um tipo que tinha conhecido no cruzeiro e que me
pareceu um bom wingman para Atenas, uma vez que falava grego e era
nitidamente menos atraente que eu. Quando estava a tentar estacionar
deixei o carro ir abaixo e o tipo teve uma reacção de desmarcação
ostensiva do momento, como se deixar o carro ir abaixo fosse algo de
verdadeiramente vergonhoso para a virilidade de um gajo. É que estavam
umas gregas lindíssimas mesmo no passeio ao lado a olhar e ele não quis
ficar conotado com a minha aselhice ao volante. Começou a abanar a
cabeça de forma intensa e a revirar os olhos exageradamente para tentar,
de alguma forma, não ficar naquela fotografia. Como se fosse possível
que passadas umas horas ele fosse encontrar as gregas e elas o
abordassem dizendo: tu és o tipo que estava com aquele gajo que deixa o
carro ir abaixo, não és? Vi pela tua reacção que nunca deixas o carro ir
a baixo. Não quererás porventura comer-me a pachacha? Mas o mundo é
fértil em surpresas e por vezes proporciona-nos aquilo a que chamo “as
rimas da picha”. É que acabámos mesmo por encontrar as raparigas na
noite grega. Ele armou-se em pavão. Já eu, armei-me em parvão. Enquanto
ele se gabava de peito cheio de ser o maior condutor da galáxia eu
mantive a coerência e garanti às gregas que também as deixava ir abaixo.
Aliás, deixei-as vir abaixo muitas vezes.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Cabeça de alho chocho
Este
fim-de-semana estava sentado num miradouro junto a uma igreja quando me
apareceu uma fotógrafa. Andava ali toda entusiasmada a fotografar a cópula da
igreja e eu não resisti a dizer-lhe que se o entusiasmo fosse por uma cúpula na
igreja eu até percebia. Olhou-me com desdém mas terá ficado curiosa.
Entabulámos uma conversa ligeira em que eu disse muitas mais parvoíces do
género. Ela ficou convicta de que eu era um gajo sem qualquer tipo de interesse
intelectual e completamente vazio de espírito. O que não andará muito longe da realidade.
Perguntou-me, já que eu era tão
chico-espertinho, se recomendava algo de mais interessante naquela zona
para fotografar. Está bom de ver que me apressei a sugerir o meu nabo. É uma
peça arquitectonico-nabal única e de grande valor quantitativo e qualitativo. Tratei
foi logo de a avisar que precisaria de uma grande angular para fotografar este
portento fálico. Não deve ter gostado muito da sugestão pois ficou de trombas. O
pior é que eu também fiquei de tromba feita. Meio irritada ainda chegou afirmar
que me achava um cabeça de vento e que o exagero da minha retórica era tal que
até uma hipérbole se sentiria ofendida com o abuso. Apeteceu-me responder-lhe
que não é uma questão de eu ser falso ou mentiroso, que nunca deixo é que a
verdade estrague uma boa história. Mas preferi voltar a sugerir-lhe o Pacheco
como Património Mundial da Fotografia. Ela não o quis fotografar, estou convicto
que por não ter a lente necessária. Mas o que é certo é que veio comigo para minha casa. Há justiças poéticas muito bonitas: Sei que ela
ficou a pensar que eu era uma cabeça de alho chocho. Mas também ficou a saber
que se há coisa que eu não tenho é uma cabeça de caralho chocho.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
À falta de bico
No outro
dia abri a gaveta da minha secretária antiga de madeira e encontrei uma caneta
sem bico. Precisava desesperadamente de uma caneta e aquela era a única caneta
em casa. E estava sem bico. Naquele momento identifiquei-me de imediato com a
caneta. Ainda olhei para baixo da secretária numa vã esperança mas nem
vestígios de bico. Escusado será dizer que a ideia se plantou na minha mente com tal intensidade que saí à
rua pronto para arranjar um bico e emendar a situação. Claro que quando dei por
mim estava a tentar arranjar um bico, não para a caneta, mas para mim.
Distraio-me muito facilmente. Sentei-me então numa esplanada do Chiado a
avaliar potenciais sugadoras de sardões até que uma moça ficou instantaneamente
caidinha por mim. E não estou para aqui a brincar às metáforas e com os seus
efeitos de transposição. Eu tinha as pernas estendidas na esplanada, ela
tropeçou em mim e ficou de joelhos prostrada a meus pés. Apressei-me a ajudá-la
a levantar, pedindo desculpas pelo sucedido e aludindo ao tamanho exagerado dos
meus pés, claramente a ver se ela estabelecia uma ligação à teoria que indica
que o tamanho dos pés de um homem é proporcional ao tamanho do seu bacamarte.
Quando a estava a levantar cheguei mesmo a dizer-lhe: Sempre posso contar aos meus amigos que uma mulher sensual ficou caidinha por mim esta tarde. Ela
sorriu de forma tímida enquanto olhava para os joelhos esfolados. Confesso que
também eu olhei, com elevada dose de preocupação, note-se, para os seus joelhos
esfolados. Mas foi a pensar que isso iria dificultar o acto de ela me mamar no
Pacheco. É que sou um homem com princípios e custava-me muito imaginá-la de
joelhos no soalho debaixo da minha secretária a fazer-me o bico desejado, com
os joelhos naquele estado. Por isso, quando a levei para minha casa para lhe
fazer um curativo, tratei de lhe meter, estrategicamente, uma almofadinha para
os joelhos no chão. A caneta, essa, continua sem bico e presumo que a morrer de
inveja de mim. Um dia arranjo-lhe um bico tão bom como o que nesse dia recebi.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Trabalhar por cona própria
Há já
algum tempo que não ia a uma festa organizada pelo meu amigo Xerife. Se há
coisa que o gajo sabe é organizar festas, que é como quem diz, encher o antro
com esgrouviadas da senisga que, todas misturadas, prometem originar um
cocktail de javardice a todos os títulos de louvar. Engalanei-me e lá fui a
destilar tesão para a festa repleta de pachacha dondoca. Contudo, ou fiquei
demasiado exigente, ou o Xerife ficou com os bifes do lombo só para ele e
partilhou apenas as peças de qualidade inferior. Aquilo estava apinhado de
mulheres desenxabidas. Assim que entrei senti umas largas dezenas de pares de
olhos a comerem-me. Não as condeno. Estavam todas a trabalhar por cona própria.
Mas eu não me queria apropriar de nenhuma daquelas pachachas. Encosto-me na
varanda a beber à bruta quando, nas minhas costas, ouço uma dondoca dizer que
estava com cieiro. E foi aqui que se fez luz. Enchi-me de alento, pois sempre acreditei que o cieiro é a doença do cio e tinha
agora uma oportunidade de ouro para testar a minha teoria. Virei-me e é aí que
a vejo toda altiva e de sublime beleza. Estava pronto para começar a arte do
engate mas nem precisei de usar a minha lábia. Apenas usei a lábia dela.
Aliás, levei-a mais depressa para o quarto de hóspedes do que o tempo que demora a soletrar a palavra lábia. Confirmou-se assim o cieiro como a doença do cio. Aquilo foi uma genuína parada
de orgasmos. Deitei-me satisfeito pela confirmação da teoria e a congratular-me por ter
encontrado uma mulher assim no meio de toda a feiura presente. Não só encontrei
uma autêntica agulha num palheiro como ainda consegui enfiar-lhe o Pacheco no
buraco.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Bico d´obra
A semana
passada acordei com o desejo incessante de me mamarem no palhaço. São este tipo
de emoções que me garantem que não me tornei insensível, por isso sinto que
tenho de seguir a sua natureza. É como se estivesse a jogar a um monopólio de
emoções viciado que nunca me deixa voltar à chacha de partida mas que me
condena amiúde à Estação dos Bicos. Por isso, já mais à noitinha, lá fui eu a
uma danceteria a ver se arranjava um bico d´obra. Mas ca ganda regabofe de
pachacha que ia para ali. Numa noite normal teria ficado a pulular de excitação
mas eu tinha uma missão. Naquela noite eu estava decidido a encontrar o Santo
Graal das bocas de veludo. A Terra Prometida dos destinos fálicos. O Taj Mahal da
arquitectura do abocanhamento. O problema é que enquanto ia fazendo prospecção
de mercado bebi uns copos a mais, o que é capaz de ter turvado o meu
discernimento. Isto porque depois de a ter levado para casa recordo-me de lhe
estar a dizer: Isso não é só meter a boca no trombone. Também é preciso saber
sacar uma notas. Depressa desisti de fazer um enchido do seu esófago e tentei
salvar a noite. Virei-a de quatro e toma lá Pacheco. A julgar pela lassidão
daquelas bordas certamente que lhe carimbei o cartão de fodilhona frequente.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Diário do Patife III
Nesta
rubrica, um dia do diário de notas do Patife é aqui transcrito todos os meses
sem censuras.
2 de
Agosto
Acabei de
conhecer uma belga. Sendo eu fã das bolachas, pergunto-me qual será a sua
reacção quando sugerir que a quero untar de chocolate antes de a comer.
Começa a
ser socialmente complicado não conseguir ficar calado sempre que uma mulher
tosse insistentemente perto de mim. “Anda cá que eu já te digo o que é bom para
a tosse” nunca é levado a sério. É que eu tenho mesmo uma cura milagrosa para a
tosse e acham sempre que eu estou a ser ordinário. Por acaso a cura é mesmo
mamarem-me o Pacheco, mas não o digo por ordinarice. É por pura bondade.
Acabei de
comer a belga. A páginas tantas dei-lhe uma mordidela, mas ela pareceu ser
compreensiva.
Foda-se.
Tudo bem que lhe dei uma trancada à boa maneira Patifeira mas isto é demais:
Estou com uma nódoa negra no nabo. É que a moça tinha umas guelras vaginais
profundamente apertadas. Bem… É uma ferida de guelra.
Olho para
o soalho e reparo no estado lastimável do preservativo. Recordo-me de um
apontamento de humor de uma série qualquer, daquelas que vejo a meio de uma
insónia: “Com ele a queca é tão intensa que o preservativo mais parece uma
película aderente a tentar proteger uma travessa de comida no epicentro de um
tornado”.
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