segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Toucinho-do-céu


Ontem tentei uma coisa diferente. O meu terapeuta tem andado a semana toda a chatear-me e a dizer que eu continuo a comportar-me como um puto reguila desmiolado que pensa que não existem consequências para os seus actos e que julga que vai encontrar alguma sabedoria depois de pinar o maior número de pachachas sem sentido. Tentei explicar-lhe que todas as pachachas que comi tiveram algum sentido para mim. Mais não fosse o sentido crescente do meu pincel. Por isso, ele desafiou-me a convidar uma mulher para jantar e depois para a levar a casa sem tentar nenhuma artimanha para a aviar. Gastar um jantar com conversa que depois não leva a lado nenhum pareceu-me parvo, mas aceitei o desafio. Ele dizia que podia levar a um outro lado qualquer, mas não percebi bem qual. E lá fui. Estava tudo a correr bem até à altura da sobremesa. É que ela pega no cardápio e pede de sobremesa um dos muitos cognomes do Pacheco: Toucinho-do-céu. E continuou, claramente a atiçar-me: Ai, está tanto a apetecer-me um toucinho-do-céu. Ai o toucinho-do-céu deixa-me de água na boca. Eu ia apertando a toalha da mesa para me conter mas entretanto chega o doce à mesa. Ela ia metendo o toucinho à boca enquanto soltava onomatopeias de prazer, numa clara provocação a que nenhum homem de sardão rijo conseguiria resistir. Podem dizer que isto é loucura mas um homem vê uma mulher a gemer com um toucinho-do-céu na boca e o seu primeiro instinto é o de a levar ao céu com o seu próprio toucinho. A natureza é mesmo assim. E não me critiquem. Não fui eu que criei as leis da natureza humana. Por isso não descansei enquanto não meti o toucinho-ao-léu. E logo de seguida foi o meu toucinho-no-céu. Da boca da piquena.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Abrir os olhos


Não percebo as mulheres que dizem que gostam muito de ler porque as relaxa. A mim a leitura exalta-me. Bem, se eu conseguisse ler Pedro Paixão ou José Luís Peixoto mais de cinco minutos seguidos, aí sim, talvez relaxasse. Estou certo que adormeceria de tédio. Dada a sua escrita estou certo que ambos são capazes de fazer sincronizar o período de todas as suas leitoras. E ontem lá encontrei uma a profanar a minha esplanada do Chiado com a leitura de um José Luís Peixoto. Além do mais eu já estava há mais de quinze minutos na mesa ao lado e aquela magana ainda não se tinha vindo meter comigo, o que roça a má educação. Se nem sequer tivesse olhado, isso sim, seria um verdadeiro desaforo. Como me considero uma pessoa nada egoísta e sempre pronta a ajudar a próxima, senti que era um chamamento para prestar uma boa acção. Naquele instante apercebi-me que tinha de lhe abrir os olhos. Por isso, foi com um ar de santo catedrático que me acheguei da sua mesa para lhe dar uma lição rápida de literatura. Da estupefacção inicial, passou cerca de meia hora a ouvir-me explicar a razão pela qual frases que constavam do seu livro como “No amor é preciso que duas pessoas sejam uma” ou “Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano a agitar-se sobre as ondas” são potenciais causadoras de derrames cerebrais e verdadeiros hinos de lamechice vulgar. Quando lhe dei em troca pérolas do Verlaine, do Paul Éluard e do António Maria Lisboa, estou certo que terá ficado possessa da pachacha. É que do abrir dos olhos ao abrir dos folhos foi apenas uma letrinha de distância.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O caldo entornado


Hoje deixem-me falar-vos da pachachinha mais molhadinha que alguma vez tive a sorte de fornicar. Homem que é homem, de H e pila grandes, gosta muito de sentir, logo ao primeiro contacto, uma humidade proeminente como que a antecipar um orgasmo de proporções épicas, capaz de criar uma autêntica enxurrada vaginal. Não há dúvida que as pachachas mais molhadinhas são como um grande parque de diversões fálicas. E esta era um autêntico Slide & Splash do mangalho. Ao primeiro toque já uma torrente de líbido aguardava impaciente a ordem de soltura. O Pacheco, esse, soltava espasmos de contentamento e congratulava-se pela entrada gratuita no parque de diversões, dominado por um espírito de excitação quase juvenil. Haviam de o ver a subir e a descer os montes da crica, deslizando alegremente e retardando o splash da penetração. Mas entusiasmou-se demasiado nos slides pelo papo de chona e pelos refegos da lábia e quando deu por ele já um verdadeiro maremoto de fluxo libidinoso se preparava para o engolir. Garanto-vos que no final vi, com o olho do Pacheco que um dia vos há-de comer, uma poça gigante na cama e o Pacheco prostrado no meio da chafurdice soltada pela chona da magana. É nestes momentos que tenho pena de não conseguir conter as palavras que me sobem ilegíveis à boca, pois a única coisa que soltei foi um: Pronto… já está o caldo entornado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Fittipaldi da canzana


Era elegante e graciosa, com uma essência feminina assinalável, e cantava jazz como uma sereia contemporânea. Mas também tinha umas mamas generosas. Dirão as más-línguas que foi esse o único motivo que me fez engatá-la e levá-la para casa. E estarão cobertas de razão. Tão cobertas como ficaram as mamas dela pela nhanha aqui do Pacheco. Mas confesso que a voz também ajudou. Foi, por isso, com alguma dose de estranheza que reparo que na cama a magana não emitia um único barulho. Depois de décadas a pinar como gente grande foi a primeira vez que uma sardanisca não me desatou a gemer de forma histriónica como se estivesse com um coqueiro entre as pernas, o que, convenhamos, não andará muito longe da realidade. Esta deve ter vindo com silenciador, pensei. É nesse momento que me armo em Fittipaldi da canzana e lhe meto a quinta a fundo, aumentando o ritmo de bombada para a red zone das rotações pélvicas. Ela mordia os lábios, o rosto ia aumentando de tonalidade de vermelho, o corpo trepidava como se estivesse a ter um ataque epilético, mas, foda-se, que nem um gemido saía daquela boquinha. E já nem queria saber de atingir um orgasmo. Naquele momento o meu objectivo de vida passou a ser apenas um: Conseguir que a magana soltasse um mísero sonzinho que fosse. Sou um pouco como as crianças. Quando não consigo uma coisa não resisto a esgotar todas as possibilidades para descobrir o que se passa e dar a volta à questão. Invade-me sempre um pensamento Proustiano e assemelho-me a esses miúdos que desmontam um despertador para saber o que é o tempo. Por isso tive de inspecionar de perto. Tirei-lhe a jiboia de dentro das guelras e lancei-me nas artes do abocanhamento. Invisto com técnicas aprimoradas e devidamente comprovadas por centenas de pachachas lambuzadas e esta sirigaita continuava sem um único espasmo vocálico. Fulo da vida e prestes a desistir, é aqui que me revolto. Afasto o meu corpo do corpo dela e penso alto, soltando inadvertidamente um desapontado mas nada ofensivo: PUTA!. Haviam de ver: o corpo dela explode, soltando o acumular do prazer pelas refinadas técnicas nela investidas nas últimas horas e começa numa sucessão de uivos articulados com impropérios profundamente ordinários e por isso impróprios de serem reproduzidos neste espaço. Eu fiquei impávido a observar o descontrolo orgástico da moça, todo altivo e de peito cheio a olhar de longe com superioridade, satisfeito por ter conseguido desvendar o enigma. Ao vê-la a ter um orgasmo assim, recordei então uma pérola literária do Miguel Esteves Cardoso que legendaria este momento na perfeição: “E conseguir vir-se no vácuo, a grande puta”.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Última Tanga em Paris


Regresso de três merecidos meses de ausência, como todos os anos me imponho. Há quem me acuse de sofrer do síndrome de Peter Pan por continuar a ter três meses de férias como as crianças. Eu acho que é síndrome de sábio. Que não resiste a meter o nabo em qualquer lábio. Mas isso agora não interessa. Importa que o Patife está de regresso para mais uma temporada de pinadas fora de série, com relatos sobre abocanhamentos superiores, histórias que acabam com pulmões com nódoas negras provocadas pelo tamanho do meu pincel, e ainda traqueias molestadas, ânus estafados, capacidades de sucção dignas da mais avançada engenharia bucal, tiradas e metidas de engate, poesias de fusão sexual, técnicas refinadas de penetração e quecas com hippies com vaginas à boca de sino. Regresso após cruzeiros no Egipto e nas ilhas gregas, mas também passei uns dias em Paris durante estas férias. Depois de muito montar cheguei ao último dia em Paris e disse de mim para o Pacheco: Rapaz, hoje prepara-te que vamos só passear. Quero aproveitar o último dia aqui para fazer a vontade aos meus olhos em vez de andar a dar prazer aos entrefolhos franceses. O safado pareceu entender-me mas foi só para me apanhar desprevenido. Estava eu todo contente em Montmartre quando avisto uma delirante francesa de saia branca curta de onde se podia ver uma majestosa tanga. O Pacheco deu de pronto sinal e fez soar no meu imaginário uma referência cinematográfica. Depressa me apercebi que teria ainda de retirar uma última tanga em Paris. Ela, assim que me viu a falar francês a enrolar a língua, percebeu logo que eu era um carro alegórico da minetada. Mas é aí que gosto de as surpreender. É certo que sou um mágico da trombada mas sou igualmente um exímio manuseador. Um mago do toque no papo. Um craque da crica. Um rei da dedada. Um justiceiro da chona tocada. Por isso, molestei-lhe manualmente a pachacha como nunca ninguém o havia feito. Estas mãos que vos escrevem dedilharam os recantos da crica flausina com tal primor e arte, que me senti como um autêntico Rachmaninoff da pachacha. Até escalas perfeitas consegui sacar-lhe em gemidos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Intróito de Verão ou Bocachada

(Não, ainda não voltei de férias. Fiz apenas uma pausa para partilhar isto. Agora tenho ali duas gregas à espera que eu as esfregue com óleo. Yeah... right...).

Não sejam porcalhões nem porcalhotas. Aposto que assim que leram "Bocachada" ficaram logo com a cabeça cheia de porcalhices a pensar em rodriguinhos linguísticos que metessem uma boca que era um achado, bocas todas escachadas ou bocas fechadas para eu escancarar com o Pacheco, não foi? Não? Então devo ter sido só eu, pronto. Mas não é nada disso. Há coisinhas muito bonitas. Da mesma forma que também há coninhas igualmente bonitas. E por estes dias peguei na viola em pleno cruzeiro e criei uma ode às coisinhas mais bonitas deste mundo, que assinala também o lema das minhas férias e o alcançar do objectivo de vida “A Volta ao Mundo em 80 Cricas”. Lembrei-me então de uma musiquinha muito bonitinha do B Fachada e pus-me a pensar que se o Bocage e o B Fachada fossem um só, haviam de ter criado estrofes singulares capazes de elevar o trovador português a um nível inestimável. E se o Bocage e o B Fachada fossem um só, haviam de ter cantado em uníssono coisinhas maravilhosas e bonitinhas assim. É carregar ali no link e cantar a nova versão dentro da cabeça.

Clique para ouvir esta pérola

Coninha pequenina

Coninha pequenina
Já te ouço a chamar por mim
Estejas escachada ou apertadinha
O Patife maluco dá conta de ti

Tu sabes de antemão
Que eu vou estragar a tua reputação
Coninha pequenina
Vou fazer-te as vontadinhas
Ai se vou
Ainda nem me conheceste
E já aprendeste
Que depois de te pinar me vou