Ontem
tentei uma coisa diferente. O meu terapeuta tem andado a semana toda a chatear-me e a dizer que eu continuo a comportar-me como um puto reguila desmiolado que pensa que
não existem consequências para os seus actos e que julga que vai encontrar
alguma sabedoria depois de pinar o maior número de pachachas sem sentido.
Tentei explicar-lhe que todas as pachachas que comi tiveram algum sentido para
mim. Mais não fosse o sentido crescente do meu pincel. Por isso, ele
desafiou-me a convidar uma mulher para jantar e depois para a levar a casa sem
tentar nenhuma artimanha para a aviar. Gastar um jantar com conversa que depois
não leva a lado nenhum pareceu-me parvo, mas aceitei o desafio. Ele dizia que
podia levar a um outro lado qualquer, mas não percebi bem qual. E lá fui. Estava
tudo a correr bem até à altura da sobremesa. É que ela pega no cardápio e pede
de sobremesa um dos muitos cognomes do Pacheco: Toucinho-do-céu. E continuou,
claramente a atiçar-me: Ai, está tanto a apetecer-me um toucinho-do-céu. Ai o toucinho-do-céu
deixa-me de água na boca. Eu ia apertando a toalha da mesa para me conter mas
entretanto chega o doce à mesa. Ela ia metendo o toucinho à boca enquanto
soltava onomatopeias de prazer, numa clara provocação a que nenhum homem de
sardão rijo conseguiria resistir. Podem dizer que isto é loucura mas um homem
vê uma mulher a gemer com um toucinho-do-céu na boca e o seu primeiro instinto é o de a
levar ao céu com o seu próprio toucinho. A natureza é mesmo assim. E não me
critiquem. Não fui eu que criei as leis da natureza humana. Por isso não
descansei enquanto não meti o toucinho-ao-léu. E logo de seguida foi o meu toucinho-no-céu.
Da boca da piquena.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Abrir os olhos
Não
percebo as mulheres que dizem que gostam muito de ler porque as relaxa. A mim a
leitura exalta-me. Bem, se eu conseguisse ler Pedro Paixão ou José Luís Peixoto
mais de cinco minutos seguidos, aí sim, talvez relaxasse. Estou certo que
adormeceria de tédio. Dada a sua escrita estou certo que ambos são capazes de fazer sincronizar o
período de todas as suas leitoras. E ontem lá encontrei uma a profanar a minha esplanada
do Chiado com a leitura de um José Luís Peixoto. Além do mais eu já estava há
mais de quinze minutos na mesa ao lado e aquela magana ainda não se tinha vindo
meter comigo, o que roça a má educação. Se nem sequer tivesse olhado, isso sim,
seria um verdadeiro desaforo. Como me considero uma pessoa nada egoísta e
sempre pronta a ajudar a próxima, senti que era um chamamento para prestar uma
boa acção. Naquele instante apercebi-me que tinha de lhe abrir os olhos. Por
isso, foi com um ar de santo catedrático que me acheguei da sua mesa para lhe
dar uma lição rápida de literatura. Da estupefacção inicial, passou cerca de meia
hora a ouvir-me explicar a razão pela qual frases que constavam do seu livro como
“No amor é preciso que duas pessoas sejam uma” ou “Quando
damos as mãos, somos um barco feito de oceano a agitar-se sobre as ondas” são potenciais
causadoras de derrames cerebrais e verdadeiros hinos de lamechice vulgar.
Quando lhe dei em troca pérolas do Verlaine, do Paul Éluard e do António Maria Lisboa, estou certo que terá ficado possessa da pachacha. É
que do abrir dos olhos ao abrir dos folhos foi apenas uma letrinha de distância.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O caldo entornado
Hoje
deixem-me falar-vos da pachachinha mais molhadinha que alguma vez tive a sorte
de fornicar. Homem que é homem, de H e pila grandes, gosta muito de sentir,
logo ao primeiro contacto, uma humidade proeminente como que a
antecipar um orgasmo de proporções épicas, capaz de criar uma autêntica enxurrada
vaginal. Não há dúvida que as pachachas mais molhadinhas são como um grande parque
de diversões fálicas. E esta era um autêntico Slide & Splash do mangalho.
Ao primeiro toque já uma torrente de líbido aguardava impaciente a ordem de
soltura. O Pacheco, esse, soltava espasmos de contentamento e congratulava-se
pela entrada gratuita no parque de diversões, dominado por um espírito de
excitação quase juvenil. Haviam de o ver a subir e a descer os montes da crica,
deslizando alegremente e retardando o splash da penetração. Mas entusiasmou-se
demasiado nos slides pelo papo de chona e pelos refegos da lábia e quando deu
por ele já um verdadeiro maremoto de fluxo libidinoso se preparava para o
engolir. Garanto-vos que no final vi, com o olho do Pacheco que um dia vos
há-de comer, uma poça gigante na cama e o Pacheco prostrado no meio da
chafurdice soltada pela chona da magana. É nestes momentos que tenho pena de
não conseguir conter as palavras que me sobem ilegíveis à boca, pois a única
coisa que soltei foi um: Pronto… já está o caldo entornado.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Fittipaldi da canzana
Era
elegante e graciosa, com uma essência feminina assinalável, e cantava jazz como
uma sereia contemporânea. Mas também tinha umas mamas generosas. Dirão as
más-línguas que foi esse o único motivo que me fez engatá-la e levá-la para
casa. E estarão cobertas de razão. Tão cobertas como ficaram as mamas dela pela
nhanha aqui do Pacheco. Mas confesso que a voz também ajudou. Foi, por isso,
com alguma dose de estranheza que reparo que na cama a magana não emitia um
único barulho. Depois de décadas a pinar como gente grande foi a primeira vez que
uma sardanisca não me desatou a gemer de forma histriónica como se estivesse
com um coqueiro entre as pernas, o que, convenhamos, não andará muito longe da
realidade. Esta deve ter vindo com
silenciador, pensei. É nesse momento que me armo em Fittipaldi da canzana e
lhe meto a quinta a fundo, aumentando o ritmo de bombada para a red zone das
rotações pélvicas. Ela mordia os lábios, o rosto ia aumentando de tonalidade de
vermelho, o corpo trepidava como se estivesse a ter um ataque epilético, mas,
foda-se, que nem um gemido saía daquela boquinha. E já nem queria saber de
atingir um orgasmo. Naquele momento o meu objectivo de vida passou a ser apenas
um: Conseguir que a magana soltasse um mísero sonzinho que fosse. Sou um pouco como
as crianças. Quando não consigo uma coisa não resisto a esgotar todas as
possibilidades para descobrir o que se passa e dar a volta à questão. Invade-me
sempre um pensamento Proustiano e assemelho-me a esses miúdos que desmontam um
despertador para saber o que é o tempo. Por isso tive de inspecionar de perto.
Tirei-lhe a jiboia de dentro das guelras e lancei-me nas artes do
abocanhamento. Invisto com técnicas aprimoradas e devidamente comprovadas por
centenas de pachachas lambuzadas e esta sirigaita continuava sem um único
espasmo vocálico. Fulo da vida e prestes a desistir, é aqui que me revolto. Afasto
o meu corpo do corpo dela e penso alto, soltando inadvertidamente um
desapontado mas nada ofensivo: PUTA!. Haviam de ver: o corpo dela explode,
soltando o acumular do prazer pelas refinadas técnicas nela investidas nas
últimas horas e começa numa sucessão de uivos articulados com impropérios profundamente
ordinários e por isso impróprios de serem reproduzidos neste espaço. Eu fiquei
impávido a observar o descontrolo orgástico da moça, todo altivo e de peito
cheio a olhar de longe com superioridade, satisfeito por ter conseguido
desvendar o enigma. Ao vê-la a ter um orgasmo assim, recordei então uma pérola
literária do Miguel Esteves Cardoso que legendaria este momento na perfeição:
“E conseguir vir-se no vácuo, a grande puta”.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
A Última Tanga em Paris
Regresso
de três merecidos meses de ausência, como todos os anos me imponho. Há quem me
acuse de sofrer do síndrome de Peter Pan por continuar a ter três meses de
férias como as crianças. Eu acho que é síndrome de sábio. Que não resiste a
meter o nabo em qualquer lábio. Mas isso agora não interessa. Importa que o
Patife está de regresso para mais uma temporada de pinadas fora de série, com
relatos sobre abocanhamentos superiores, histórias que acabam com pulmões com
nódoas negras provocadas pelo tamanho do meu pincel, e ainda traqueias
molestadas, ânus estafados, capacidades de sucção dignas da mais avançada
engenharia bucal, tiradas e metidas de engate, poesias de fusão sexual, técnicas
refinadas de penetração e quecas com hippies com vaginas à boca de sino. Regresso
após cruzeiros no Egipto e nas ilhas gregas, mas também passei uns dias em
Paris durante estas férias. Depois de muito montar cheguei ao último dia em
Paris e disse de mim para o Pacheco: Rapaz, hoje prepara-te que vamos só
passear. Quero aproveitar o último dia aqui para fazer a vontade aos meus olhos
em vez de andar a dar prazer aos entrefolhos franceses. O safado pareceu entender-me
mas foi só para me apanhar desprevenido. Estava eu todo contente em Montmartre
quando avisto uma delirante francesa de saia branca curta de onde se podia ver uma
majestosa tanga. O Pacheco deu de pronto sinal e fez soar no meu imaginário uma
referência cinematográfica. Depressa me apercebi que teria ainda de retirar uma
última tanga em Paris. Ela, assim que me viu a falar francês a enrolar a língua,
percebeu logo que eu era um carro alegórico da minetada. Mas é aí que gosto de
as surpreender. É certo que sou um mágico da trombada mas sou igualmente um
exímio manuseador. Um mago do toque no papo. Um craque da crica. Um rei da
dedada. Um justiceiro da chona tocada. Por isso, molestei-lhe manualmente a
pachacha como nunca ninguém o havia feito. Estas mãos que vos escrevem
dedilharam os recantos da crica flausina com tal primor e arte, que me senti
como um autêntico Rachmaninoff da pachacha. Até escalas perfeitas consegui
sacar-lhe em gemidos.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Intróito de Verão ou Bocachada
(Não, ainda não voltei
de férias. Fiz apenas uma pausa para partilhar isto. Agora tenho ali
duas gregas à espera que eu as esfregue com óleo. Yeah... right...).
Não sejam
porcalhões nem porcalhotas. Aposto que assim que leram "Bocachada" ficaram logo com a cabeça cheia de
porcalhices a pensar em rodriguinhos linguísticos que metessem uma boca que era um
achado, bocas todas escachadas ou bocas fechadas para eu escancarar com o Pacheco, não foi? Não? Então
devo ter sido só eu, pronto. Mas não é nada disso. Há coisinhas muito bonitas.
Da mesma forma que também há coninhas igualmente bonitas. E por estes dias
peguei na viola em pleno cruzeiro e criei uma ode às coisinhas
mais bonitas deste mundo, que assinala também o lema das minhas férias e o
alcançar do objectivo de vida “A Volta ao Mundo em 80 Cricas”. Lembrei-me então
de uma musiquinha muito bonitinha do B Fachada e pus-me a pensar que se
o Bocage e o B Fachada fossem um só, haviam de ter criado estrofes singulares
capazes de elevar o trovador português a um nível inestimável. E se o Bocage e
o B Fachada fossem um só, haviam de ter cantado em uníssono coisinhas maravilhosas
e bonitinhas assim. É carregar ali no link e cantar a nova versão dentro da
cabeça.
Clique para ouvir esta pérola
Clique para ouvir esta pérola
Coninha pequenina
Coninha
pequenina
Já te
ouço a chamar por mim
Estejas
escachada ou apertadinha
O Patife
maluco dá conta de ti
Tu sabes
de antemão
Que eu
vou estragar a tua reputação
Coninha
pequenina
Vou fazer-te as vontadinhas
Ai se vou
Ainda nem
me conheceste
E já
aprendeste
Que
depois de te pinar me vou
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